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24.3.14

Reflexão de notícias # 45

Demolições levantam discussão sobre sala de consumo asséptico no Porto

Presidente de instituição particular de solidariedade social que faz troca de seringas na zona ocidental do Porto diz que demolições, por si só, nada resolvem

O presidente da Norte Vida– Associação para a Promoção da Saúde, Agostinho Rodrigues, acha que esta é uma “boa altura” para o Porto discutir a possibilidade de criar um espaço de consumo asséptico, vulgo, uma sala de chuto.

Começaram nesta segunda-feira de manhã a ser demolidas as velhas unidades fabris que funcionavam como abrigo e sala de chuto junto ao Bairro Dr. Nuno Pinheiro Torres, mais conhecido por PT. Por lá passavam todos os dias centenas de pessoas.

“Era preciso encontrar uma solução”, comenta Agostinho Rodrigues, dirigente da instituição particular de solidariedade social que ali faz troca de seringas e administração de metadona. "Aquele era um lugar insalubre", frisou. Pelo menos 14 pessoas dormiam ali. Até agora, quatro foram realojadas – uma no centro de acolhimento temporário da Norte Vida, outras três em pensões. 

O assistente social não se alonga nos comentários sobre as unidades industriais. Diz que "fazer demolições, por si só, não resolve o problema”. Basta lembrar o que aconteceu com as demolições nos bairros de São João de Deus e do Aleixo: o tráfico transferiu-se. “Na cidade não faltam espaços devolutos." Esta é "uma boa altura para repensar soluções possíveis no que diz respeito à toxicodependência”, advoga. Parece-lhe que é tempo de discutir a possibilidade de criar uma sala de consumo asséptico. 

Tiago Costa e Silva, coordenador do projecto 3R's do Espaço Pessoa, concorda com a perspectiva de Agostinho Rodrigues e acredita que "a demolição da antiga fábrica nada vai alterar a situação dos que por lá passaram". Psicólogo de formação, Costa e Silva centra a discussão na necessidade de olhar para as pessoas e não para os edifícios. Concorda com a demolição pelo perigo que o edifício trazia para a saúde pública, mas considera que a intervenção está longe de ser suficiente. "Teria sido uma boa oportunidade para se articularem equipas que conhecem estas problemáticas, que estão familiarizadas com o terreno e poderiam sinalizar as pessoas que lá estavam no sentido de lhes dar acompanhamento", acrescenta.

Quando questionado acerca da criação de uma sala de consumo assistido na cidade do Porto, Tiago Costa e Silva expõe o problema de forma clara: "não podemos ignorar que existem pessoas que estão em fases da vida em que já não vão deixar de consumir e, com essas pessoas, o trabalho a ser feito é o da minimização de danos para a saúde. Temos que intervir aceitando que, em muitos casos, as pessoas não vão deixar aquela situação", explica. É nesse sentido que defende a criação das chamadas salas de chuto que "não são só salas de consumo de droga, ao contrário do que muitas vezes se passa para a opinião pública. São espaços que permitem fazer rastreio e avaliação permanente da saúde dos toxicodependentes bem como um acompanhamento social da situação de cada um", conclui.

José Luís Fernandes, docente ligado à Psicologia e às Ciências da Educação e investigador no Centro de Ciências de Comportamento Desviante não se alonga na opinião relativa à demolição, dizendo apenas que este tipo de intervenções são necessárias quando se trata de edifícios devolutos e unidades industriais há muito desativadas, como era o caso. Refere ainda que não se pode comparar a medida levada a acabo esta manhã ao acontecido em São Joáo de Deus ao até mesmo no bairro do Aleixo, explicando que, nesses casos, outros interesses, nomeadamente imobiliários, influenciaram o sucedido.

Demolição preparada em segredo
A demolição foi sendo preparada nos últimos dois meses. Na sexta-feira, a Polícia Municipal colocou uma fita em torno do conjunto de edifícios que há mais de dez anos perderam a função de unidades industriais e avisou quem ali estava que, a partir daquele momento, mais ninguém podia lá dormir.

Na madrugada desta segunda-feira, a polícia municipal fez uma busca ao terreno – murado, com 130 metros de comprimento por 95 de largura – e encontrou três pessoas lá dentro. Por volta das 6h30, entrou uma brigada cinotécnica da PSP investida da missão de garantir total ausência de vida humana. Às 7h55, começaram os trabalhos de demolição no maior edifício do complexo, em forma de L, virado para a rua da Pasteleira.

A autarquia afirma que o lugar tem “placas de amianto em grande quantidade e em estado de degradação avançada”. O amianto está “espalhado” e é usado para preparar doses e para fazer fogueiras para aquecer quem ali se juntava.

Resolver esta situação foi uma promessa eleitoral. Rui Moreira decidiu avançar com a demolição quando esteve na freguesia, já como edil, em Novembro de 2013. Um edital foi emitido, fazendo um ultimato aos proprietários: tinham 45 dias para fazer alguma coisa. Quinta-feira, segundo a autarquia, terminou o prazo que lhes fora concedido. Os trabalhos que agora começaram deverão arrastar-se ao longo de toda a semana.

A operação foi preparada com secretismo para evitar que os proprietários interpusessem uma providência cautelar. Na sexta-feira, uma advogada tentou marcar uma reunião em seu nome. Como já tinha tomado posse administrativa do terreno, a autarquia protelou o encontro.

Fonte: Público

25.6.13

Reflexão de notícias # 42

Casal vive há dois meses em garagem de subcave
 
Árbitro de futebol e a mulher estão desempregados e não têm direito a apoios por não terem morada

Há dois meses que um casal vive sem luz e sem água, dois níveis abaixo do chão, porque não tem dinheiro para pagar a renda de uma habitação. A garagem custa-lhes 45 euros por mês.

Há dois meses que Miguel, 36 anos, e Cândida, de 39, vivem numa garagem de seis por três metros, situada dois andares abaixo do chão, sem luz, sem água e sem qualquer entrada direta de ar, em Famalicão. Estão os dois desempregados. Miguel Veloso já foi carpinteiro e canalizador. Cândida Carvalho fazia limpezas em prédios. "Não fazíamos descontos. Enquanto houve trabalho, tínhamos dinheiro, agora não temos nada", frisa Miguel, árbitro da Associação de Futebol de Braga.

Sem direito a qualquer Rendimento Social de Inserção, a vida deste casal está embalada em meia dúzia de sacos e alguns caixotes. No chão da garagem, pela qual pagam uma renda mensal de 45 euros, está o colchão onde dormem. Casa de banho "só no Leclerc e no Jumbo", os dois supermercados que ficam perto do Edifício Saza, onde 'vivem'. 
 

3.6.13

Reflexão de notícias # 41

Governo quer divulgar nomes de quem mora em habitação social

O Governo pretende divulgar a identidade dos beneficiários de habitação social, mas uma proposta de lei nesse sentido, aprovada em Conselho de Ministros e entregue no Parlamento para discussão, levanta problemas legais relacionados com o direito à privacidade.

Para a Comissão Nacional de Protecção de Dados, a divulgação deste tipo de informação “abre o caminho a tratamento de dados de alto poder discriminatório […], ultrapassando, em larga medida, o objectivo de transparência e de acesso público à informação”.

Também a Associação Nacional de Municípios defende que a atribuição de habitação social deve estar excluída da obrigação de publicitação, dado o carácter assistencialista deste tipo de apoio, “dirigido a agregados familiares carenciados ou em situação de fragilidade”.

A proposta em causa integra um diploma de âmbito mais vasto, que prevê a publicitação, no site da Inspecção-Geral de Finanças, do nome dos beneficiários quer de subsídios públicos, quer de apoios comunitários. Contra a divulgação dos apoios sociais está igualmente a Assembleia Legislativa da Madeira, que, num parecer da sua comissão permanente da administração pública, a considera inaceitável à luz do princípio de protecção e respeito da privacidade dos cidadãos.

O PÚBLICO tentou insistentemente, ao longo das últimas semanas, obter esclarecimentos do Ministério das Finanças sobre esta matéria, mas deparou sempre com recusas por parte das suas porta-vozes.

Fonte: Público

26.2.13

Biblioteca # 57


Etnografia e Intervenção Social. Por uma Praxis Reflexiva

Autor (es): Vários
Ano de edição: 2011
Editor: Edições Colibri
ISBN:  9789896891183
Preço: 16,00€- COMPRAR

Sinopse:
Esta é uma obra colectiva que flui entre dois pólos, etnografia e intervenção social, animada pelo propósito de mostrar a etnografia como um exercício que produz saber valioso e de elevada utilidade social. Valioso, porque faz emergir dimensões complexas e profundas dos factos e fenómenos sociais; ilumina a sua riqueza, filões, tonalidades e matizes; aclara as respectivas fronteiras, estratos e articulações. Pela fusão operada entre observação e reflexividade, os artigos mostram-nos a desconstrução de determinadas leituras da realidade e a edificação de outras. Ou falam-nos da desproble­matização de algumas situações e da problematização de outras tantas. Queremos com esta colectânea de textos oferecer novidade, capacidade crítica acrescida e estimular o "olhar para aquilo que os estereótipos ignoram e para aquilo que os preconceitos não deixam ver", tal como escreve A. Oliveira no seu artigo. Mas o que damos a ver e propomos à reflexão nesta obra? Cientistas sociais como persona non grata; extradições impostas a que se seguirão, decerto, novos regressos; cárceres permeáveis; mulheres vítimas incertas e pseudo-saber sobre elas; antropologia em imagens e suas aplicações no campo da intervenção social; sexualidades juvenis arriscadas; maternidades autónomas com referentes masculinos; família-providência e informalidades organiza­tivas; empowerment dos que se prostituem; profissionais e académicos em dissidência.

11.9.12

Reflexão de notícias # 31

José, 28 anos, está em greve de fome até conseguir emprego

"Por um emprego e um futuro digno", o designer de comunicação de 28 anos está em greve de fome na rua de Santa Catarina, no Porto. Aos pais só falta “pedir uma família e filhos”


Está de cabeça baixa e com uma resma de papéis na mão, sentado num banco amarelo. José Eduardo Cardoso protesta contra a situação do país e contra a sua própria situação. “Por um emprego e um futuro digno”, está em greve de fome até conseguir um emprego ou até conseguir falar com o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho.

Cansou-se de enviar currículos e portefólios e não receber respostas, nem positivas nem negativas. Há alguns meses, decidiu criar o próprio emprego — o projecto “A Thousand Faces Starring Back at You” onde desenha uma caricatura por um euro —, mas mesmo assim não foi suficiente. É designer e ilustrador, já trabalhou em vários estúdios e integrou o colectivo Salão Cóboi.

Aos 28 anos, não quer depender mais dos pais. “Só lhes falta pedir uma família e filhos”, diz. “Tenho quase 30 anos e os meus pais pagaram-me a faculdade e o alojamento, não é justo.” Não informou a família da sua decisão, para evitar preocupações, mas acredita que por esta altura já devem saber. “Sei que me iam apoiar, apoiaram-me sempre, mas iam tentar demover-me, claro.” 

Na rua de Santa Catarina, no Porto, o designer de comunicação, licenciado pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, vai manter-se em greve de fome. José Eduardo quer que algo mude “ou, pelo menos, ficar com a consciência tranquila”. “Até à semana passada não tinha coragem para tomar esta decisão”, conta, mas depois de um fim-de-semana em família em que as conversas à mesa se centraram nas dificuldades do país, avançou. “Custa-me ver os meus pais assim, a culpa desta situação não é deles.” A comunicação ao país do primeiro-ministro, na última sexta-feira, foi o “empurrão” de que precisava.

Estipulou consigo mesmo que ia estar em Santa Catarina, em frente a uma conhecida confeitaria, das nove da manhã às sete da tarde, até porque continua a ter alguns — poucos — compromissos profissionais. Se um destes dias chegar a casa e tiver uma resposta positiva no e-mail ou receber um telefonema, dá por terminado o protesto que diz ser “completamente pacífico” e que espera ser breve.

Coragem para decisões certas precisa-se
José Eduardo Cardoso continua a trabalhar como freelancer, numa destas três situações: “uns não pagam, outros pagam passado meio ano e outros, ainda, pagam um terço do valor justo”. Já se viu obrigado a mentir quanto às suas qualificações, já se inscreveu em agências de trabalho temporário e no centro de emprego, sem frutos.

Ainda não pensou a sério em emigrar. Acha que não tem de deixar tudo para trás só porque um grupo de pessoas tomou decisões erradas. Concorreu a vários lugares no estrangeiro, mas as respostas também não chegaram.

Na rua, onde está há um dia só com uma garrafa de água com açúcar como alimento, já ouviu de tudo. “As pessoas que param para dar apoio são aquelas que têm consciência que as coisas estão erradas. As outras, que me ignoram, também ignoram o resto”, considera. Há as que já o conhecem e que partilham histórias de filhos, primos ou conhecidos em situações precárias, desempregados.

“Gostava que as pessoas responsáveis por esta situação tivessem metade da coragem que eu, a minha família e milhares de outras pessoas têm para poderem tomar decisões acertadas. Porque uma decisão errada não só é produto de inconsciência como também de cobardia”, reflecte. “Peço ao doutor Passos Coelho, como representante dessas pessoas, que esqueça a sua agenda preenchida com decisões erradas, que tenha a coragem e o bom senso de me pedir para parar com isto pessoalmente.”

Fonte: Público

*sublinhado meu.

8.9.12

Reflexão de notícias # 31






A partir deste ano letivo, há mudanças previstas nos alimentos das escolas, onde vão deixar de ser vendidos refrigerantes, ice-teas, alimentos fritos e também folhados. Um grupo de trabalho coordenado pela Direção-Geral de Educação elaborou um documento com as linhas orientadoras, que também prevê que bolos, chocolates e gelados continuem disponíveis, mas mais caros.

31.8.12

Reflexão notícias # 30

Doar a quem mais precisa

Feira Alternativa promove a sustentabilidade e a solidariedade através de um mercado de produtos usados


Os organizadores da Feira Alternativa - Festival da Terra 2012 desafiam-no a dar uma volta ao armário para se ver livre de tudo aquilo de que já não precisa. O objetivo é simples: vender tudo o que não lhe faz falta ou doar os objetos a uma instituição de solidariedade.

Fazendo justiça à máxima 'reduzir, reutilizar e reciclar' a Terra Alternativa realiza, pela primeira vez, um mercado de artigos em segunda no âmbito da Feira Alternativa deste ano.

A iniciativa acontece nos dias 14, 15 e 16 de setembro no Estádio do INATEL, em Alvalade (Lisboa). 

Estarão presentes várias instituições que, além de realizarem campanhas de angariação de fundos, vão receber os bens doados pelos visitantes. A Make a Wish, Quercus, Coração Amarelo e Pé Ante Pata são as organizações de solidariedade social convidadas.

A organização espera acolher cerca de 25 mil pessoas em três dias. O bilhete de entrada custa 9 euros para os três dias e cinco euros para um.

Os expositores serão divididos por temas, como alimentação natural, permacultura, turismo de natureza, medicinas não convencionais e desenvolvimento pessoal. 

Fonte: Visão

4.4.12

...

"O(a) melhor Educador(a) Social não é aquele(a) que desenvolve actividades brilhantes, mas sim aquele(a) que recebe propostas de actividades brilhantes e que vai ao encontro dos interesses das pessoas (...) de forma individualizada e personalizada."

Ruben Amorim – “Educação Social, Envelhecimento e Empreendedorismo”.

Comunicação no I Encontro de Educadores Sociais – Casa Pia de Lisboa

Ou não fosse o Educador Social um agente de proximidade ao outro, que parte dos seus interesses, necessidades e que o considera como um ser capaz de pensar, sentir e agir. O Educador Social deve, por isso, pautar a sua intervenção pela autenticidade, apresentando-se tal como é, sem falsidades nem dualidades, com vista ao envolvimento e participação dos seus educandos, tornando a relação educativa, assim, mais genuína!




1.3.12

O Perfil do Educador Scoial


"[O Educador Social] é um profissional com um perfil polivalente, plural, adaptativo, criativo e espontâneo, capaz de mobilizar os conhecimentos necessários para lidar com velhas e novas situações, imagináveis e imprevisíveis, seleccionando os objectivos, estratégias e métodos de intervenção de acordo com o contexto e as pessoas em jogo"
(Veiga & Correia, 2009: 59)


Referência bibliográfica:
Veiga, S. & Correia, F. (2009). O Perfil do Educador Social. Espaço S - Revista de Investigação e Intervenção do ISCE. 3: 55-64. Pedago.