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29.4.14

Reflexão de notícias # 46

O raio dos pobres
Não fossem precisos tantos pobres para fazer um rico, e quase valia a pena tentar acabar com esta coisa dos pobres
 
Os pobres não têm competências, nem competitividade, nem produtividade, nem espírito empreendedor, os pobres não são proactivos, os pobres não investem no seu futuro, os pobres não sabem criar sinergias, os pobres não constroem poupança, os pobres andam a viver acima das suas possibilidades, os pobres andam mal-habituados, os pobres são malandros e trafulhas e só estão bem a encher o bandulho enquanto cantam o fado da desgraçadinha, os pobres são calinas e mal-agradecidos, os pobres o que querem é a mama do Rendimento Mínimo (ou RSI ou lá o que é agora), os pobres derretem o dinheirito todo em plasmas, telemóveis, mariscadas, bifes todos os dias e na água que desperdiçam quando lavam os dentes.

Os pobres também são burros, e analfabetos funcionais e continuam a ser súbditos em vez de cidadãos, os pobres são politicamente passivos, os pobres votam contra os seus interesses de classe, os pobres alinham sempre pelo mais baixo denominador comum, os pobres alimentam a demagogia, os pobres são facilmente manipuláveis, os pobres magoam-se em peregrinações a Fátima e dão o dízimo à IURD, os pobres não são voluntariosos, os pobres queixam-se muito mas raramente protestam e nunca participam nas manifestações da sociedade civil, os pobres para a bola têm dinheiro mas livros lá em casa está quieto, os pobres são egoístas e machistas e homófobos e, pior ainda, às vezes até racistas com outros pobres doutros sítios.

Ainda por cima os pobres são feios, os pobres não têm gosto nem cultura nem bom senso nem nada, os pobres não têm cartão da Biblioteca Nacional, os pobres não fazem parte da aldeia global, os pobres estão desenraizados da cultura tradicional, os pobres têm medo do que não compreendem, os pobres não têm opiniões que mereçam o tempo necessário que leva a ouvi-las, os pobres não viam o 2.º canal nem quando o 2.º canal merecia ser visto, do que os pobres gostam é da novela e papam tudo o que é "reality show", os pobres não apreciam cinema de autor e só vão ao teatro se for o La Féria, os pobres nunca ouviram falar no "Jornal de Letras" (quanto mais no "Charlie Hebdo" ou na "London Review of Books"), os pobres não sabem quem é o Jonathan Swift ou o Schopenhauer ou o Suetónio, os pobres vestem-se horrendamente, os pobres furam as orelhas aos bebés, os pobres ouvem Zezé di Camargo, acham que McDonald’s é comida e preocupam-se com a orientação sexual do Ronaldo, os pobres às 7 da manhã já estão cansados e às 9 da noite já estão a dormir, os pobres acham que ler poesia é mariquice e riem-se da gastronomia molecular, os pobres estão bem é de fato de treino a passear no centro comercial domingo à tarde, os pobres dão cabo da imagem do país cada vez que se cruzam com os turistas do norte do mundo em frente à Torre de Belém.

E estes pobres de agora, ingratos e consumistas, insolentes sem deixarem de ser submissos; são tão malinos que nem sequer têm a decência básica de serem como os pobres de antigamente: pobres decentinhos cheios de respeito, de chapéu na mão à porta da missa, de olhos baixos às palavras dos doutores, em traje de rancho cinzento-rato remendão... pobres que nem eram pobres, que eram pobrezinhos.

É no raio desta gente que reside todo o problema da nação; não nos bem-abrigados, bem-aquecidos e bem-alimentados que lhes dão lições, ainda menos nos 10% que concentram quase um terço dos recursos, mas neles e só neles. Não fossem precisos tantos pobres para fazer um rico, e quase valia a pena tentar acabar com esta coisa dos pobres.

Fonte: P3 Público

7.5.13

Campanha Maus-Tratos Infantis


"Sometimes, child abuse is only visible to the child suffering it."

6.10.12

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27.4.12

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"As grandes oportunidades de ajudar os outros raramente acontecem, mas as pequenas surgem todos os dias" 
Sally Kock

16.4.12

Ciganos...

Ciganos

"As fotografias contidas neste vídeo retratam, ainda que muito parcialmente, fragmentos da vida de uma comunidade cigana portuguesa (Beja), uma comunidade afectada pelos mais extremos fenómenos de pobreza, discriminação e exclusão social. Um grupo de pessoas a quem todos pedem deveres mas ninguém garante direitos. Uma comunidade isolada do mundo por um vergonhoso muro e que, por isso, habita uma espécie de "Terra de ninguém".

Fotografias de Sérgio Aires.



14.4.12

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O pior é quando nem sequer a tentam esconder!!!

O Educador Social num Serviço de Apoio Domiciliário

"O educador social opõe-se a práticas que atribuem um lugar de passividade ao idoso e que o reduzem a um objecto de cuidados. Na verdade, fomentar uma cidadania activa implica considerar o idoso como um sujeito activo, capaz de pensar, sentir e agir e, por isso, autor do seu projecto de vida. É a possibilidade de desenvolver nos idosos um conjunto de competências que lhes permita conhecerem-se e tomarem consciência das suas necessidades, que torna o desempenho do educador social tão pertinente e singular num SAD. A metodologia participativa em que se fundamenta a prática do educador social irá permitir que o SAD se constitua como um trabalho COM os idosos e COM a sua família, a partir dos seus interesses e projectos de vida, assumindo-se como um cuidado colaborativo, onde o profissional é parceiro da intervenção. (...) É competência do educador social encontrar um equilíbrio entre a singularidade do idoso, as suas necessidades, desejos e possibilidades de intervenção, ajudando o idoso a criar uma maneira de viver com sentido para si e condizente com a sua situação (única) de vida."

4.4.12

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"O(a) melhor Educador(a) Social não é aquele(a) que desenvolve actividades brilhantes, mas sim aquele(a) que recebe propostas de actividades brilhantes e que vai ao encontro dos interesses das pessoas (...) de forma individualizada e personalizada."

Ruben Amorim – “Educação Social, Envelhecimento e Empreendedorismo”.

Comunicação no I Encontro de Educadores Sociais – Casa Pia de Lisboa

Ou não fosse o Educador Social um agente de proximidade ao outro, que parte dos seus interesses, necessidades e que o considera como um ser capaz de pensar, sentir e agir. O Educador Social deve, por isso, pautar a sua intervenção pela autenticidade, apresentando-se tal como é, sem falsidades nem dualidades, com vista ao envolvimento e participação dos seus educandos, tornando a relação educativa, assim, mais genuína!




1.3.12

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15.2.12

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"O sector social em Portugal tem o dever de pensar de outra forma e criar um novo sentido à sociedade portuguesa. Infelizmente nem sempre temos dado bons exemplos, mas há efectivamente, sobretudo da parte da nova geração, alguma vontade para mudar, provocada por esta inconformidade de não pensar e criar um novo sentido"
José Gil


18.1.12

Um muito obrigado pelo apoio!

A opinião não será unânime para todos os profissionais da educação social, nem tal se pretende, mas fico verdadeiramente grata pelo facto de colegas, educadores sociais, com espírito crítico, hermenêutico e reflexivo, consultarem este blogue e de este lhe ser útil ao desempenho das suas funções!

Um muito obrigada Bruno! :D

14.10.11

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Quantas vezes a escola e a família não são dois contextos de discordâncias e desconfianças mútuas???

3.1.11

Obrigado pelo reconhecimento!!!

"Escolhas de 2010:

Metade da Laranja;
Sentidos da Educação Social;
Raízes Sociais.

3 espaços distintos que merecem reconhecimento e uma visita frequente."

* Um muito obrigado ao colega Bruno Luis Rodrigues pela distinção!

5.11.10

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Quer levar uma bofetada de um homem sem braços? (vídeo)
Tiago Mesquita (www.expresso.pt)
8:00 Sexta feira, 5 de Novembro de 2010

"Depois de ver este vídeo a bofetada que levamos é tal que os nossos queixumes, muitas vezes mesquinhos e imbecis, só nos deviam envergonhar. Um exemplo, sem dúvida. Veja.

Somos o país dos queixumes. Os bebés quando nascem em Portugal choram com mais força. Alguns não pedem de imediato o livro de reclamações na sala de partos porque felizmente ainda não conseguem falar. "Quem não chora não mama". E como a grande maioria quer mamar sem fazer nenhum prefere passar grande parte dos seus dias a reclamar de tudo.

Dói-me aqui, estou flácido, ando mais gorda, a minha sogra faz-me a vida negra, o meu filho é gay, o meu vizinho cheira mal da boca e rouba-me a La Redoute, este padre é pior do que o antigo, o outro é que era bom. Tens mais batatas do que eu, esta cozinheira não me grama. O meu patrão é atrasado mental. "Porque é que estas coisas só me acontecem a mim?"

Se em Portugal entrar numa sala um só individuo e disser que tem um problema, levantam-se logo 30 e de imediato se chega á conclusão que é preciso criar uma associação para ajudar estas 31 pessoas que coitadinhas, têm todas, muitos problemas. Depois verifica-se através de um estudo que afinal há muitos mais pessoas com o mesmo problema, e nasce uma linha de apoio. E lá vão 10 mil fazer a meia-maratona do problema X num domingo qualquer.

O problema é que muitas vezes os problemas que dizemos ter não são verdadeiros problemas. Nós é que somos o problema. Nós é que o criamos. Por inércia. Porque não o queremos combater, ou "não conseguimos". Porque não sabemos lidar com ele. E se ele desaparecer? Depois do que nos vamos queixar? Teríamos de arranjar um novo problema, e isso seria outro problema a resolver. No fundo não sabemos viver sem problemas. E depois, quando nos defrontamos com um verdadeiro problema, enfim, é um problema.

Veja o vídeo. Um exemplo de coragem. Obviamente que todos temos problemas, mas nem sempre são o que parecem, ou aquilo que queremos fazer parecer. Olhamos pouco para o lado. Acho que devíamos todos aprender a relativizar.


14.7.10

"Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos."
(Eduardo Galeano)

Lembrei-me desta frase quando vi "Lágrima" , filme 2.º classificado no Festival de Curtas de Vila do Conde 2010 (categoria VideoRun).

26.6.10

“Temos o direito a ser iguais quando a diferença nos inferioriza; temos o direito a ser diferentes quando a igualdade nos descaracteriza.”
(Boaventura de Sousa Santos)