8.6.14

Reflexão de notícias # 48

O núcleo de apoio às crianças e jovens em risco do Hospital Amadora-Sintra é o que mais sinaliza casos de maus-tratos infantis no país. Para detectar os que aparecem escondidos, os médicos têm que tentar sair dos seus mundos e pensar no imponderável. Ficam na desconfortável posição de descortinar, em feridas gravadas na pele com formas geométricas, abusos de pais e mães. Num dos casos relatados aos pediatras, o inchaço numa perna que a mãe da criança dizia ser uma picada de abelha era, afinal, uma fractura.

Num dia entram pelas urgências pediátricas do Hospital Amadora-Sintra umas 200 crianças, cada médico de serviço pode chegar a observar 40. A menina de dois anos que lhe apareceu no gabinete com a mãe chegava-lhe com queda de cabelo, peladas em sítios diferentes da cabeça, sinais de emagrecimento, vómitos. O pediatra tratou de pedir análises para perceber se a perda de peso se deveria a falta de vitaminas, poderia estar relacionada com um problema de absorção de alimentos. Remeteu-a para um colega de gastrenterologia. Quanto à alopécia (queda de cabelo), que podia ser devida a uma doença auto-imune, teria que ser vista por um dermatologista.

Quatro meses depois a mesma criança voltou às urgências. Só que agora vinha ao colo de um bombeiro. Tinha o corpo preenchido de negro, eram visíveis as marcas das cordas com que havia sido amarrada a uma cadeira, tinha pequeninas feridas dos palitos que lhe eram espetados na pele. Durante o dia a mãe deixava-a com o namorado que, como estava desempregado, lhe tomava conta dela juntamente com o seu filho. Mas a ele não batia. A própria mãe também era vítima de violência e não conseguia defender a filha. Quando viu a menina, o pediatra que a tinha observado aquela primeira vez ficou como nunca o tinha visto a colega Helena Almeida.“Perturbado.”

“Sentimo-nos horríveis quando deixamos passar um caso destes”, diz Helena Almeida, presidente do núcleo de apoio às crianças e jovens em risco do Hospital Amadora-Sintra. Mesmo quando aparentemente se fez tudo ao nosso alcance. Há casos, como este, que se tornaram bandeira no núcleo, porque o ideal seria que viessem à memória de todos os médicos que trabalham nas urgências pediátricas sempre que vêem uma criança e pensam, como ensinaram à maioria nas faculdades de medicina, sobretudo às gerações mais velhas, a pensar em causas orgânicas - explica a pediatra Maria de Lurdes Torre, outras das médicas que integra o núcleo, e que faz parte de uma secção nova da Sociedade Portuguesa de Pediatria, chamada Medicina Social, por tratar de patologias com origem fora do organismo, na sociedade.

A queda de cabelo não era devida a uma doença auto-imune, os cabelos eram arrancados pelo namorado da mãe, e a perda de peso era porque a menina estava deprimida, recorda Helena Almeida. O caso desta criança, chamemos-lhe Carina, é hoje um dos que estão descritos num powerpoint para que os profissionais de saúde aprendam com ele. Todos os pediatras do Amadora-Sintra têm de fazer formação em maus tratos.

No último slide surge a face ferida de Carina. “A grande preocupação foi a alopécia...” E é como se a frase de Maria de Lurdes Torre ficasse pendurada no ar, porque se instala o silêncio na sala de formação. “O senhor foi preso”, diz a assistente social Patrícia Santos, preenchendo a incómoda ausência de ruído. “A menina está na escola, muito vivaça, está muito bem”, junta, como num convite à descompressão, a psicóloga Filipa Fonseca, também deste núcleo que junta 11 profissionais de várias áreas. Ficou a viver com a avó.

“A esta miúda safámo-la, é a recompensa. Não tirámos tudo o que está para trás, mas a partir de agora pode ter uma vida melhor”, observa Helena Almeida. E é como se o mantra desta formação sobre maus tratos infantis fosse uma frase que Maria de Lurdes Torre diz à margem da sessão: “Não era evidente, eu fiz o melhor que pude, isto não era linear. Acontece a todas as pessoas”. É assim que conseguem seguir em frente. Depois, tentam ir à raiz dos erros nestes casos “mascarados”.

O que os membros do núcleo procuram fazer durante as quatro manhãs de formação por ano é ensinar aquela plateia a contrariar vícios de raciocínio. Helena Almeida chama-lhe “uma guerra de aprendizagem”. Porque é que que um hematoma num sítio fora do normal para uma queda de criança há-de primeiro ser investigado como leucemia?, exemplifica Maria de Lurdes Torre. Porque é que se pensa numa doença rara antes de se pensar em maus tratos?

E porque é que o facto de o pai estar muito nervoso durante a consulta não há-de constar na ficha de observação clínica da criança? Porque os médicos são ensinados a deixarem a subjectividade de lado, a serem o mais científicos possível, e isso significa desvalorizar o facto de o progenitor, que trouxe a criança “por ter caído das escadas”, não parar de bater com o pé no chão durante a consulta. O processo clínico não é visto como sítio para impressões, sentimentos, para o não dito. Nos maus tratos é essa informação, “esses feelings”, como lhes chama, que podem fazer a diferença, elucida a médica, que é também chefe de serviço da urgência e dos cuidados intensivos pediátricos desta unidade dos arredores de Lisboa.

Fonte: Público

Curso "A Arte como Intervenção Sócio-Educativa" (Porto)

Esta ação de formação tem como objetivo fornecer ferramentas aos profissionais que pensarem e utilizarem a Arte como meio de intervenções sócio-educativas em ambientes de educação formais e não formais.

Local: Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
Data curso: 20 Jun 2014 a 05 Jul 2014
Carga horária: 21 horas
Unidades crédito (ccpfc): 0.8 CCPFC
Data inscrição: 13 Maio 2014 a 15 Jun 2014
Taxa inscrição: 20,00€
Propinas: 80,00€ (2 x 40,00€)

Mais informações aqui.

Encontro Saberes em convers@ – Tráfico de Seres Humanos (Porto)



I Encontro Laços “Mediar a Família para Proteger a Criança" (Braga)






Participação gratuita, mas sujeita a inscrição prévia para lacosfvg@gmail.com ou 253 307 310

Mais informaçãoes aqui.

2.6.14

Oferta de emprego # 184

TÉCNICO DE FORMAÇÃO/ COORDENADOR DE FORMAÇÃO

Funções:

- Planear, organizar, promover, acompanhar e avaliar as atividades do processo formativo 

Planear as intervenções formativas: 
1.1. Elaborar diagnósticos de necessidades de formação, analisando e caracterizando o meio, as organizações e as actividades profissionais; 
1.2. Elaborar propostas de planos de intervenção formativa, identificando perfis de formação, negociando prioridades, metas e apresentando o orçamento de acordo com o respectivo enquadramento financeiro; 
1.3. Elaborar a planificação da actividade formativa, calendarizando as intervenções, prevendo os meios físicos, os recursos humanos e financeiros a afectar e criando regulamentos de funcionamento. 

Organizar e promover a formação: 
2.1. Elaborar referenciais de formação, identificando destinatários, objectivos gerais, conteúdos de formação e orientações metodológicas gerais; 
2.2. Realizar o recrutamento e selecção dos formadores, assegurando a adequação das respectivas competências aos referenciais de formação a desenvolver; 
2.3. Conceber e estruturar o programa de formação, garantindo a articulação entre os referenciais estabelecidos e as várias componentes formativas e definindo e operacionalizando a estrutura curricular a nível de conteúdos programáticos, cargas horárias, metodologias e modelos e instrumentos de avaliação; 
2.4. Desenvolver, junto dos destinatários, as actividades de promoção da formação, através do contacto directo e dos meios de divulgação adequados; 
2.5. Realizar o recrutamento e selecção dos formandos, utilizando as técnicas adequadas; 
2.6. Assegurar as condições de execução física da formação, tendo em conta os meios logísticos previstos; 
2.7. Acompanhar a concepção e elaboração dos suportes didácticos para a formação, assegurando a sua adequação aos objectivos estabelecidos. 


3. Coordenar as actividades de formação: 
3.1. Acompanhar a realização da formação e verificar a concretização dos objectivos, conteúdos e orientações metodológicas e o cumprimento dos regulamentos, concebendo e aplicando instrumentos de controlo administrativo, pedagógico e financeiro; 
3.2. Assegurar o enquadramento e a orientação técnica e/ou pedagógica dos recursos humanos afectos; 
3.3. Gerir os meios físicos necessários à realização da formação. 


4. Avaliar o processo e os efeitos da formação: 
4.1. Conceber e aplicar modelos e instrumentos de avaliação da formação; 
4.2. Proceder aos ajustamentos necessários, tendo em conta os resultados da análise quantitativa e qualitativa do processo e efeitos da formação

5. Desenvolver actividades de consultoria, prestando apoio técnico no domínio da sua área funcional. 

SABERES 
Conhecimentos de: 
1. Sistemas de Educação/Formação. 
2. Organismos e outras entidades de Educação/Formação. 
3. Legislação específica da Educação/Formação. 
4. Metodologias de Investigação. 
5. Processos e factores de ensino-aprendizagem. 
6. Avaliação da aprendizagem. 
7. Selecção e recrutamento de recursos humanos. 
8. Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação/Formação. 
9. Suportes didácticos para a Educação/Formação 

Conhecimentos aprofundados de: 
11. Metodologias de identificação de necessidades de formação. 
12. Metodologias de definição de perfis de formação. 
13. Desenvolvimento Curricular. 
14. Planeamento da formação. 
15. Organização e promoção da formação. 
16. Avaliação da formação. 
17. Qualidade na Educação/Formação. 
18. Gestão administrativa e Financeira. 
19. Gestão de projectos de Educação/Formação. 
10. Organização do Trabalho e Gestão de Equipas 

SABERES-FAZER 
1. Aplicar as técnicas e os instrumentos adequados à caracterização das organizações e à análise de funções. 
2. Aplicar os métodos e técnicas de diagnóstico de necessidades de formação e de definição de perfis de formação. 
3. Aplicar os métodos e técnicas de concepção de referenciais e programas de formação. 
4. Conceber, avaliar e adequar os suportes didácticos aos referenciais e programas de formação. 
5. Aplicar os métodos e técnicas de planificação da formação. 
6. Aplicar os métodos e técnicas de promoção da formação. 
7. Aplicar metodologias e instrumentos de operacionalização, orientação e acompanhamento da formação. 
8. Aplicar técnicas de recrutamento e selecção de recursos humanos. 
9. Enquadrar e acompanhar equipas/grupos de trabalho. 
10. Orientar técnico-pedagogicamente os formadores e outras figuras profissionais da área Educação/Formação. 
11. Definir e aplicar instrumentos de controlo pedagógico da execução das intervenções formativas. 
12. Aplicar as técnicas de concepção de instrumentos de avaliação do processo formativo. 
13. Aplicar os métodos, as técnicas e os instrumentos de avaliação do processo e efeitos da formação

SABERES-SER 
1. Integrar-se em diferentes contextos organizacionais, grupos em formação e equipas. 
2. Comunicar e interagir com os outros e com o meio. 
3. Decidir sobre as soluções mais adequadas na resolução de situações concretas. 
4. Liderar grupos/equipas e delegar responsabilidades. 
5. Revelar criatividade, auto-confiança, espírito de equipa, espírito de iniciativa, estabilidade emocional, resistência à frustração, capacidade de decisão e abertura à mudança. 
6. Respeitar os aspectos éticos e deontológicos da profissão e os inerentes ao exercício da Cidadania 


1. Envio de CV com foto para hsf.fps@gmail.com.
2. Título do email de candidatura: "COORDENADOR DE FORMAÇÃO - CANDIDATURA" 
3. Corpo do email: referência a valor pretendido para um trabalho de 40h/ semanais, com contrato de trabalho a termo certo. 


Fonte: Netempregos

Oferta de emprego # 183

Direção Técnica /Gestor Qualidade

Grupo especializado na prestação de cuidados a idosos em regime residencial, com unidades na área da Grande Lisboa, pretende recrutar para integrar a sua equipa, um diretor(a) técnico(a) /gestor de qualidade: 

Funções: 
- Gestão / coordenação das equipas e funcionamento das áreas de serviço 
- Responsável pela Direção Técnica de uma unidade 
- Implementação e acompanhamento de sistema de gestão de qualidade 

Perfil: 
Elevado sentido de responsabilidade e disponibilidade 
Experiência em gestão de unidades/direção técnica de prestação de cuidados a idosos 
Formação Superior em áreas sociais e humanas 
Elevada capacidade de liderança/chefia e gestão de equipas 
Capacidade de perseguir e resolver situações/assuntos com antevisão 
Capacidade de resistência a situações de stress e resolução de conflitos / reclamações 
Capacidade de relacionamento e comunicação verbal de excelência 
Gosto pelo contato direto com pessoas, nomeadamente, idosos 
Disponibilidade para trabalhar fins-de-semana e feriados 

Disponibilidade imediata 
Preferencialmente a residir na margem sul do tejo, com viatura própria 


Nota: Só serão consideradas candidaturas, cujo ficheiro do currículo seja identificado com o nome do candidato e enviadas para o endereço de e-mail: 
deprecrutamentogrupo@gmail.com, com Ref. DT JUL_14 no campo assunto. 
Favor enviar curriculo com foto. 

Fonte: Netempregos

Oferta de emprego # 182

Assistente Social/Diretor(a) Técnico(a)

IPSS da área da saúde mental precisa de Assistente Social/Diretor(a) Técnico(a) para a resposta social Unidade de Vida Protegida, desempenhando as funções inerentes ao cargo. 

Tipo de Vínculo: Contrato de Trabalho
Horário: 09h00 às 16h00

Requisitos:
- Licenciatura em Serviço Social/Política Social
- Experiência na Área da Saúde Mental
- Capacidade de Liderança e de Gestão de Equipa Multidisciplinar
- Pró-atividade/dinamismo
- Capacidade de gestão do tempo e do trabalho
- Capacidade de gestão de conflitos
- Conhecimento de legislação específica relativa à Segurança Social e à área da Saúde Mental

Enviar o CV para: horizonte.psico@gmail.com


Fonte: Netempregos

Ciclo de conferências "Pobreza, Educação e Direitos Humanos: resultados e reflexões sobre Portugal" (Braga)


IV Fórum da APC - Prevenção da Violência de Género (Porto)



Participação gratuita, mas sujeita a inscrição (aqui).