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12.10.15

Dia Internacional para a erradicação da pobreza (Viseu)


Mais informações em:

José Machado
Técnico do Núcleo Distrital de Viseu da EAPN Portugal
EAPN / Portugal- Rede Europeia Anti Pobreza
viseu@eapn.pt
Rua Dr. Cesar Anjo, Lote 2 R/C F
3510-009 VISEU
Telefone:232468472 Fax:232468474
www.eapn.pt

Seminário: Olhares sobre a Pobreza no século XXI (Setúbal)



Inscrições até 15 de outubro para:

Mónica Mateus
Técnica do Núcleo Distrital de Setúbal
setubal@eapn.pt
EAPN Portugal / Rede Europeia Anti-Pobreza
Av. D. João II, Nº 14 R/C Dtº
2910-548 Setúbal
Tel: +351 265 535 330 Tlm: 965 029 241
www.eapn.pt

24.8.15

Concurso PARTIS - Práticas Artísticas para Inclusão Social

Até ao próximo dia 15 de setembro é possível concorrer ao concurso PARTIS - Práticas Artísticas para Inclusão Social, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian que pretende apoiar projetos sociais destinados à integração social através das práticas artísticas com início em janeiro de 2016.

Os melhores e mais inovadores projetos de integração social pela prática artística, nas áreas das artes visuais, artes performativas e audiovisuais - nomeadamente teatro, dança, música, circo, grafitti, performance, pintura, escultura, instalação, vídeo, fotografia, entre outras - serão apoiados, até um máximo de 25.000 euros por ano. As propostas devem ser consistentes, informadas e sustentadas, assentes em parcerias alargadas, passíveis de avaliação e potencial de replicação.

Podem concorrer organizações não lucrativas com projetos que promovam a inclusão social de cidadãos em situação de maior vulnerabilidade social, tendo em vista a promoção do encontro e diálogo entre diferentes - em termos sociais, etários, culturais, entre outros -, e também a igualdade de oportunidades e o reforço da coesão social e territorial.

O regulamento está disponível aqui e o formulário de candidatura online é de preenchimento obrigatório.

28.4.15

Pobreza e inovação (Beja)

SEMINÁRIO - “Pobreza e inovação”

Beja | 30 abril | 2015
Auditório da Escola Superior de Educação de Beja

Programa
09.00h Receção dos participantes e entrega da documentação

09.30h Sessão de Abertura
Centro Distrital de Segurança Social de Beja
Câmara Municipal de Beja *
Instituto Politécnico de Beja *
EAPN Portugal

10.30h Painel – A Pobreza no Distrito de Beja

10.30h Contributos para o entendimento do Fenómeno Social da Pobreza na cidade de Beja
Ana Fernandes

11.00h Respostas sociais às situações de pobreza no Alentejo
Caritas Diocesana de Beja

11.30h Fotografia à la minute do Distrito de Beja
Parceiros do estudo de caraterização

12.00h Debate
Moderação- João Martins - Coordenador do Núcleo Distrital de Beja da EAPN Portugal

Almoço Livre

14.30h Mesa Redonda “respostas territoriais de inovação social”

14.30h Jack Soifer
Consultor internacional
Valter Barreiras
Diretor Executivo da Knouwingcounts
Julian Mora Aliseda
Professor da Universidade da Estremadura de Espanha
Joaquina Madeira
Coordenadora do Núcleo Distrital de Lisboa da EAPN Portugal

16.00h Debate
Moderação – João Martins - Coordenador do Núcleo Distrital de Beja da EAPN Portugal

*a confirmar

Mais informações:
Anselmo Prudêncio
Técnico do Núcleo Distrital de Beja
n.beja@eapn.pt
EAPN Portugal/ Rede Europeia Anti-Pobreza
Rua do Jornal Ala Esquerda 20
7800-301 Beja
Tel. + 00351 284 325 744 Fax: + 00351 284 325 745
www.eapn.pt

4.12.14

3.º Sector na Luta Contra a Pobreza e a Exclusão Social (Viana do Castelo)




«O Núcleo Distrital de Viana do Castelo, da EAPN Portugal, promove regularmente encontros de reflexão e debate para a mobilização das instituições e dos cidadãos, para a urgente e difícil tarefa de lutar contra a pobreza.
 O terceiro sector enfrenta grandes desafios, dadas as actuais circunstâncias de grande transformação económica e social, pelo que é necessário reflectir sobre novas soluções que permitam responder às grandes dificuldades com as quais as instituições se confrontam. Estarão connosco nesta iniciativa representantes de algumas das mais relevantes instituições do distrito no que concerne ao 3º sector, para que de uma forma aberta e frontal se possa debater a actual situação das instituições num contexto de profundas mudanças.

Programa:
 09.00h – Recepção dos participantes
 09.30h – Sessão de abertura
 10.30h – Painel I (Os desafios do 3º sector num mundo em profunda mudança)
 14.00h – Mesa-redonda (A sustentabilidade e a inovação social nas organizações do 3º Sector)
 16.30h – Encerramento

Nota: Participação gratuita.

Agradecemos a confirmação de presença até dia 12 Dezembro para: vianadocastelo@eapn.pt

+ INFO:
 Hélder Pena
 Núcleo Distrital de Viana do Castelo
 EAPN Portugal / Rede Europeia Anti-Pobreza
 Rua Salvato Feijó – Torre Active Center - 1º Andar Loja AA
4900-415 Viana do Castelo
 Tel. +00351 258 817 034
 vianadocastelo@eapn.pt
 www.eapn.pt


17.11.14

Seminário: O impacto das Representações Sociais na Luta Contra a Pobreza em Portugal (Porto)

Seminário Final do Projeto Bem-me-Quer; Mal-me-Quer 
O impacto das Representações Sociais na Luta Contra a Pobreza em Portugal 



DATA: 11 de Dezembro

HORA: 09.30

LOCAL: Auditório da Atmosfera M, na Rua Júlio Dinis, nº 158/160, Porto

OBJECTIVO: Apresentação dos principais resultados do estudo realizado pela EAPN Portugal, cujo objetivo foi compreender de que forma as representações sociais, que os técnicos e dirigentes de instituições sociais possuem face à pobreza e exclusão social, enformam a sua atuação junto dos utentes/clientes, assim como conhecer em que medida é que essas representações influenciam a definição e a execução das políticas de carácter social direcionadas para o combate à pobreza e à exclusão social. Teremos também como objetivo deste seminário a promoção de uma reflexão alargada sobre o tema, com vista ao levantamento de sugestões, complementares ao estudo, para o combate aos estereótipos e para a promoção de uma intervenção mais eficaz ao nível da pobreza e da exclusão social.

Projeto cofinanciamento pelo POAT/FSE - Programa Operacional de Assistência Técnica – Fundo Social Europeu, na área de Intervenção 5 – Estudos e Avaliação. Programa disponível brevemente.


Para mais informação, por favor, contactar: Claudia Albergaria / e.mail: claudia.albergaria@eapn.pt

17.10.14

Seminário "Pobreza e Exclusão Social: Fatores e Políticas Sociais" (Braga)




A participação no Seminário é gratuita, mediante inscrição prévia. A inscrição deve ser efetuada até ao dia 24 de Outubro

Mais informações aqui

15.10.14

Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza (Porto)


Encontro "Erradicar a pobreza e afirmar os Direitos Humanos" (Alfragide)






No dia 17 de Outubro de 2014, pelas 15h00, terá lugar no Auditório da Igreja Divina Misericórdia, em Alfragide (junto ao Estado Maior da Força Aérea) o encontro "Erradicar a pobreza e afirmar os Direitos Humanos".

A entrada é gratuita e livre (não necessita de inscrição), mas limitada à capacidade do auditório.

Mais informações aqui.

5.10.14

VI Fórum Nacional de Combate à Pobreza e Exclusão Social (Vimieiro)



14 e 15 de Outubro
Vimeiro 


Objectivos | Pretende-se promover a participação de cidadãos que vivem (ou viveram) em situação de pobreza e/ou exclusão social que integram o Conselho Consultivo Nacional (CCN) e os Conselhos Consultivos Locais (CCL) da nossa organização, na partilha de conhecimentos e na reflexão conjunta sobre temáticas que estão relacionadas com o combate à pobreza e à exclusão social. Neste encontro, os participantes terão a oportunidade de reflectir sobre os principais desafios que cada temática definida apresenta bem como apresentar propostas/recomendações concretas que possam influenciar as medidas e as estratégias que têm como objectivo lutar contra a pobreza e a exclusão social.

Metodologia | Este ano considerou-se pertinente a organização de 4 workshops temáticos, que decorrerão no dia 14 de Outubro (durante a tarde) e permitirão aos participantes reflectir e apresentar sugestões/recomendações de actuação. Os workshops terão como base as seguintes áreas temáticas: 
Participação 
Emprego/desemprego 
Crianças/jovens e a Pobreza 
Riqueza e desigualdade.

No dia 15 de Outubro será realizada uma visita institucional por todos os Participantes no Fórum à Dianova Portugal, como uma entidade local que pela sua dinâmica, inovação e polivalência na intervenção social foi selecciona por claramente ser inspiradora para o trabalho de participação e capacitação que a EAPN está a desenvolver.

18.6.14

Conferência “Problemas Sociais Complexos: Desafios e Respostas” (Lisboa)




DATA: 
11 e 12 de Julho 


LOCAL:
Aud. 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa
A crescente diversificação dos problemas sociais, bem como a sua complexificação, coloca novos desafios. Problemas sociais complexos, como o desemprego, a pobreza extrema, a exclusão social, os maus-tratos a crianças e jovens, o isolamento dos idosos, territórios vulneráveis, ou, noutra esfera, a segurança nacional, as alterações climáticas, o cluster do mar ou a gestão das cidades, persistem perante uma evidente dificuldade das instituições públicas e privadas se concertarem em torno de respostas sociais adequadas.

Como responder a estes desafios? Que soluções? Que caminhos? Como pode a Administração Pública responder a este novo contexto? E as instituições da Sociedade civil? Como ir além das respostas clássicas e tantas vezes inadequadas?


Mais informações e Inscrição na Conferência aqui.

29.4.14

Reflexão de notícias # 46

O raio dos pobres
Não fossem precisos tantos pobres para fazer um rico, e quase valia a pena tentar acabar com esta coisa dos pobres
 
Os pobres não têm competências, nem competitividade, nem produtividade, nem espírito empreendedor, os pobres não são proactivos, os pobres não investem no seu futuro, os pobres não sabem criar sinergias, os pobres não constroem poupança, os pobres andam a viver acima das suas possibilidades, os pobres andam mal-habituados, os pobres são malandros e trafulhas e só estão bem a encher o bandulho enquanto cantam o fado da desgraçadinha, os pobres são calinas e mal-agradecidos, os pobres o que querem é a mama do Rendimento Mínimo (ou RSI ou lá o que é agora), os pobres derretem o dinheirito todo em plasmas, telemóveis, mariscadas, bifes todos os dias e na água que desperdiçam quando lavam os dentes.

Os pobres também são burros, e analfabetos funcionais e continuam a ser súbditos em vez de cidadãos, os pobres são politicamente passivos, os pobres votam contra os seus interesses de classe, os pobres alinham sempre pelo mais baixo denominador comum, os pobres alimentam a demagogia, os pobres são facilmente manipuláveis, os pobres magoam-se em peregrinações a Fátima e dão o dízimo à IURD, os pobres não são voluntariosos, os pobres queixam-se muito mas raramente protestam e nunca participam nas manifestações da sociedade civil, os pobres para a bola têm dinheiro mas livros lá em casa está quieto, os pobres são egoístas e machistas e homófobos e, pior ainda, às vezes até racistas com outros pobres doutros sítios.

Ainda por cima os pobres são feios, os pobres não têm gosto nem cultura nem bom senso nem nada, os pobres não têm cartão da Biblioteca Nacional, os pobres não fazem parte da aldeia global, os pobres estão desenraizados da cultura tradicional, os pobres têm medo do que não compreendem, os pobres não têm opiniões que mereçam o tempo necessário que leva a ouvi-las, os pobres não viam o 2.º canal nem quando o 2.º canal merecia ser visto, do que os pobres gostam é da novela e papam tudo o que é "reality show", os pobres não apreciam cinema de autor e só vão ao teatro se for o La Féria, os pobres nunca ouviram falar no "Jornal de Letras" (quanto mais no "Charlie Hebdo" ou na "London Review of Books"), os pobres não sabem quem é o Jonathan Swift ou o Schopenhauer ou o Suetónio, os pobres vestem-se horrendamente, os pobres furam as orelhas aos bebés, os pobres ouvem Zezé di Camargo, acham que McDonald’s é comida e preocupam-se com a orientação sexual do Ronaldo, os pobres às 7 da manhã já estão cansados e às 9 da noite já estão a dormir, os pobres acham que ler poesia é mariquice e riem-se da gastronomia molecular, os pobres estão bem é de fato de treino a passear no centro comercial domingo à tarde, os pobres dão cabo da imagem do país cada vez que se cruzam com os turistas do norte do mundo em frente à Torre de Belém.

E estes pobres de agora, ingratos e consumistas, insolentes sem deixarem de ser submissos; são tão malinos que nem sequer têm a decência básica de serem como os pobres de antigamente: pobres decentinhos cheios de respeito, de chapéu na mão à porta da missa, de olhos baixos às palavras dos doutores, em traje de rancho cinzento-rato remendão... pobres que nem eram pobres, que eram pobrezinhos.

É no raio desta gente que reside todo o problema da nação; não nos bem-abrigados, bem-aquecidos e bem-alimentados que lhes dão lições, ainda menos nos 10% que concentram quase um terço dos recursos, mas neles e só neles. Não fossem precisos tantos pobres para fazer um rico, e quase valia a pena tentar acabar com esta coisa dos pobres.

Fonte: P3 Público

24.3.14

Reflexão de notícias # 44

Risco de pobreza em Portugal no nível mais elevado desde 2005


Quase dois milhões de pessoas em risco de pobreza. Dados provisórios do INE revelam subida entre famílias com crianças a cargo, desempregados e menores de 18 anos.

A taxa de risco de pobreza em Portugal aumentou em 2012 para 18,7%, ou seja, afectava quase dois milhões de portugueses, indicam dados provisórios sobre o rendimento e condições de vida do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelados nesta segunda-feira. Esta é a taxa mais elevada desde 2005, ano em que o risco de pobreza atingia 19% da população portuguesa. Os menores de 18 anos, as famílias com filhos a seu cargo e os desempregados são os mais afectados.

Em 2012, as pessoas que se encontravam no limiar do risco de pobreza viviam com uma média de 4904 euros anuais, ou seja, pouco mais de 400 euros mês. Estes valores representam uma quebra relativamente aos valores de 2011, 4994 e 416 respectivamente.

A taxa de risco de pobreza para as famílias com crianças dependentes subiu para 22,2%, contra os 20,5% de 2011. A maior incidência revelou-se nas famílias monoparentais com um filho a cargo (33,6%) e nas famílias constituídas por dois adultos e três ou mais crianças (40,4%) e por três ou mais adultos com menores (23,7%).

Ainda entre os casos que envolvem menores, o INE indica que as crianças com menos de 18 anos representam a maior fatia, quando se fala da taxa de risco de pobreza segundo o sexo e o grupo etário (24,4%). Segue-se a população residente em Portugal com idades entre os 18 e 64 anos (18,4%) e os idosos (14,7%). Quando comparados com 2011, estes valores revelam aumentos nos dois primeiros grupos (21,7% e 16,9% respectivamente). Pelo contrário, a taxa de risco de pobreza entre os idosos sofreu uma diminuição em relação aos 14,7% que se verificavam há três anos.

Depois dos menores e das famílias com filhos, os desempregados estão entre os que mais arriscavam uma situação de pobreza há dois anos. Segundo o INE, os desempregados encontravam-se no topo da tabela (40,2%) – 43,2% homens e 37,2% mulheres –, à semelhança de 2011 (38,3%), seguidos dos reformados, que em 2012 representavam 12,8%, menos que 3 pontos percentuais que os 15,8% do ano anterior. Entre a população que se encontrava empregada houve uma subida entre os dois anos, de 9,8% para 10,5%.

Impacto das transferências sociais no risco de pobreza diminuiu
O impacto das transferências sociais, excluindo pensões, no risco de pobreza em 2012 decresceu. Em 2011, quando contabilizados os rendimentos do trabalho e transferências privadas, 45,4% da população estava em risco de pobreza, percentagem que sobe em 2012 para 46,9%. Quando consideradas também as pensões de reforma e sobrevivência, entre os dois anos houve uma ligeira subida de 25,2% (2011) para 25,6% (2012). Se tivermos ainda em conta o contributo dos subsídios de doença, incapacidade, desemprego e inclusão social, a taxa é inferior a 2011, descendo 6,8 pontos percentuais, para 18,7%.

Os dados provisórios do INE revelam o agravamento da falta de recursos da população em risco de pobreza. Em 2011, a taxa de intensidade da pobreza foi de 24,1%, menos 3,3 pontos percentuais do que os 27,3% de 2012.

A medição da desigualdade na distribuição dos rendimentos entre a população residente em Portugal registou um pequeno encurtamento na distância entre os mais ricos e os mais pobres. Se em 2011 o coeficiente se situava em 34,5%, um ano depois desceu ligeiramente, para 34,2%. “Ao contrário, a assimetria na distribuição dos rendimentos entre os grupos da população com maiores e menores recursos manteve a tendência de crescimento verificada nos últimos anos”, escreve o INE no seu relatório.

10,9% da população em privação material severa
Quanto aos indicadores de privação material, o INE avança já com dados de 2013. No ano passado, 25,5% dos residentes em Portugal viviam em privação material, mais 3,7 pontos percentuais do que em 2012 (21,8%), enquanto 10,9% da população estava em privação material severa, ou seja, existiam famílias sem acesso a quatro ou mais itens – por exemplo, 59,8% das pessoas não tiveram capacidade para pagar uma semana de férias por ano fora de casa, ou 43,2% não conseguiam pagar de imediato uma despesa inesperada, sem recorrer a um empréstimo.

Fonte: Público



25.2.14

Reflexão de notícias # 43

Há cada vez mais sem-abrigo num país com um milhão de casas vazias

A estatística oficial aponta para 735 mil fogos devolutos, mas há quem fale num milhão. Enquanto isso, aumenta o número de sem-abrigo. Só no ano passado a AMI contactou 549 novos casos




Foi um rapaz que a chamou. Fartara-se da rua, metera o pé na porta e entrara. Ela entra e sai com discrição, não vá alguém perceber que dorme no rés-do-chão daquele prédio há tanto devoluto. Uma noite, que até pode ser esta, depara-se com portas e janelas emparedadas.

É grande o número de casas vazias. Umas 735 mil, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). “Mais de um milhão”, segundo Pedro Bingre do Amaral, professor do Instituto Politécnico de Coimbra e investigador do Centro de Estudos Regionais e Urbanos do Instituto Superior Técnico.

Impossível adiantar quantas pessoas estão sem casa, muito menos quantas a têm clandestina, como aquela rapariga que até já vendeu o cadeado que o amigo metera na porta. Na Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas Sem Abrigo, aprovada em 2009, consta “a promoção do conhecimento” sobre o fenómeno. O Instituto de Segurança Social, porém, não esclarece quantas se encontram nesta situação.

Há dados avulsos. O Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo da Cidade do Porto está a acompanhar 1377. A maioria dorme em abrigos de emergência ou em quartos de pensão. Uns 200 persistem na rua – uns 100 em casas ou fábricas abandonadas, a maior parte junto a bocas de tráfico de heroína e cocaína. Em Lisboa, numa noite, mais de 800 voluntários contabilizaram 852 sem-abrigo – 509 na rua.

O número está a aumentar com a crise. Ana Nascimento, directora-adjunta da acção social da AMI, diz que no ano passado os serviços depararam-se com 549 novos casos a nível nacional, num total de 1679 sem-abrigo acompanhados, mais 8% do que em 2012. Alguns eram endividados, isolados, de súbito desempregados.

O contraponto foi no domingo passado feito pelo diário britânico The Guardian: na Europa existem umas 11 milhões de casas vazias e uns 4,1 milhões de sem-abrigo. Um escândalo, no entender de Freek Spinnewijn, director da Federação Europeia de Organizações Nacionais que Trabalham com Sem Abrigo.

Pelo menos em Portugal, o número de casas devolutas “está subavaliado”, afirma Bingre do Amaral. Milhares de imóveis considerados como “segunda habitação” ou “para venda”, na prática, são casas devolutas. “Portugal tem o segundo maior número de casas por agregado familiar da Europa, 1,45, apenas atrás de Malta, e à frente da própria Espanha, que tem 1,4 casas por agregado”, diz.

Em 2001, o parque habitacional já excedia as necessidades de residência. E a tendência de aumento da construção não parou aí. “Entre 2001 e 2011 construíram-se 690 mil novos fogos”, assegura. Boa parte deles não foi vendida. Estão desocupados, mas podem não entrar na categoria “devolutos”.

A razão de ser deste ritmo parece-lhe, sobretudo, fiscal. “Até ao ano passado, os fundos de investimento imobiliário estavam isentos de IMI e IMT e se estivessem sediados em zonas francas estavam também praticamente isentos de IRC”, aponta Bingre do Amaral. Era vantajoso, em termos ficais, manter as casas fora do mercado, à espera de uma valorização. Com a crise, os fundos imobiliários, os promotores e a banca ficaram com um problema. E a demografia não favorece a recuperação. Um documento do Bank for International Settlements, de 2010, aponta para uma desvalorização de 85% do valor das casas em Portugal até 2050.

O problema, observa Henrique Pinto, director da Cais, é que o preço das casas se mantém alto para quem dispõe de rendimentos baixos. O que pode arrendar quem recebe 179 euros de Rendimento Social de Inserção ou 235 euros de pensão social? Não põe em causa a propriedade privada, mas lembra que muitos dos imóveis devolutos até são propriedade pública. Parece-lhe inaceitável que o Estado, as câmaras e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa não tenham uma bolsa de habitação social para, de imediato, acolher quem fica sem tecto.

De acordo com a Estratégia Nacional, ninguém deve ser obrigado a ficar na rua mais de 24 horas. Vigora alguma resistência ao acompanhamento social, sobretudo, entre pessoas com problemas de saúde mental, de consumo excessivo de álcool ou outras drogas, indica Vanda Coelho, assistente social da Associação para o Planeamento da Família. Há quem já esteja há anos de rua. Um homem a quem foi atribuído um quarto de pensão dormia no chão nos primeiros tempos.

A rapariga do prédio devoluto não entra na estratégia, apesar dos apelos do amigo. Passa as noites naquele rés-do-chão poeirento, sem água, à luz de vela. “Ela quer, mas não quer sair”, diz o amigo.

Fonte: Público

17.2.14

Biblioteca # 68

O que é a Exclusão Social?

Autor (es): Ricardo Arruda; Alexandre Baia & João Colaço
Ano de edição: 2014
Editor: Escolar Editora
ISBN9789725924099
Preço: 7,11€- COMPRAR

 Sinopse
Num mundo com crescentes terramotos sociais, cheio de pontos de interrogação, moderno de técnicas criminalizantes e punitivas, pleno de intolerância, de racismos sem raça e de estrangeiros sem nação, temos tendência a culpar o rio, esquecendo-nos das margens que o comprimem e o aviltam, para fazer uso de uma imagem de Bertolt Brecht. As margens do rio de Brecht colocam o problema do que efectivamente está em causa.
O que efectivamente está em causa - a chave de todas as formas históricas de exclusão social - não tem a ver com pessoas boas e pessoas más em si, nascidas num mundo "naturalmente" desumano e "naturalmente" excludente, mas com pessoas que se tornam boas ou más, incluídas ou excluídas, humanas ou desumanas, abrigadas ou desabrigadas, sãs ou doentes, de acordo com determinados modos de produção e de reprodução da vida.
A colecção CADERNOS DE CIÊNCIAS SOCIAIS pretende dar respostas a perguntas simples sobre temas complexos da vida social, com textos combinando simplicidade e rigor de autores de vários quadrantes do imenso mundo falante de português.

9.10.13

SOS na Zona Pobre


Com as novas regras do RSI e da habitação social, os pobres estão ainda mais pobres. Nalgumas zonas, como certos bairros da freguesia de Campanhã, no Porto, a miséria é atroz. Os direitos humanos essenciais são violados, os apoios do Estado são uma fraude, a reinserção social uma ficção. Ser pobre é viver num mundo à parte, de onde nunca se consegue sair.

Uma reportagem do Público para ler aqui.